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  • Ricardo Welbert

Nova Serrana em situação de emergência por chuvas: 8 pessoas desalojadas



Em situação de emergência por causa das fortes chuvas, Nova Serrana tem nesta sexta-feira (7) três famílias desalojadas. São oito pessoas que foram orientadas a sair de casa devido a riscos de deslizamentos, desabamentos ou alagamentos. A informação foi atualizada à MAIS! pela coordenadora da Defesa Civil municipal, Selma Fernandes Lima. (Assista acima à íntegra da entrevista)


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"A Defesa Civil foi acionada em um chamamento de emergência no bairro Mont Serrat, porque houve um deslizamento lá. Graças a Deus nós só não tivemos perdas porque a Defesa Civil trabalhou no preventivo durante a estiagem", afirma Selma.

No local, as equipes alertaram. No dia 31 de dezembro ocorreu um deslizamento. Ainda segundo Selma, a Defesa Civil ofereceu abrigo temporário, mas a família optou por ir à casa de familiares. "Demos toda assistência, com cobertor e colchão".


O outro desalojamento ocorreu no bairro Novo Horizonte. "A gente interditou a casa de uma senhora, que estava com risco de deslizamento. Ela foi para a casa de um irmão".


O terceiro caso ocorreu no bairro Santa Maria, onde uma pessoa optou por ficar na casa de um vizinho.


Abrigos temporários


Quando alguém é orientado a deixar o lugar onde mora, mas não tem opções como casas de familiares ou de vizinhos, a alternativa oferecida pelo Município é a do abrigo temporário. A pessoa pode ficar em dormitórios improvisados em escolas, ginásios ou mesmo na sede da Defesa Civil. "Tudo respeitando a questão do distanciamento social imposto pela pandemia", destaca.


Atuação intensa


Ainda de acordo com a coordenadora, a Defesa Civil tem trabalhado de forma bastante intensa nesses dias de fortes chuvas, com atendimentos feitos de dia, à noite e na madrugada. Só nesta sexta-feira, oito novos chamados haviam sido atendidos até às 15h, em diferentes pontos.


"Só no dia de ontem [6] a gente teve 14 acionamentos. A gente fez atendimentos a essas famílias, vistorias nos locais e orientamos as questões de autoproteção".

Para dar conta de tantos casos, a Defesa Civil conta com a ajuda de moradores das regiões atingidas, que informam sobre as situações enviando textos, áudios, fotos e vídeos à coordenação do serviço. Há, inclusive, quem colabore monitorando os níveis de cursos d'água e alertando sobre perigos de transbordo.


"O próprio morador que mora lá na área de risco monitora e passa a informação para a gente, para tomarmos respostas rápidas, resguardando vidas".


Alertas


Os avisos da Defesa Civil são enviados não só pelos meios de comunicação, como também por mensagens no WhatsApp.


"A gente está com um alerta válido para o período do dia 1º ao dia 12 de janeiro. De hoje para amanhã, a gente está aguardando um nível acima de 80ml. A gente pede que as pessoas observem o solo e estejam atentas a aspectos como inclinações de árvores, trincas e se a janela está travando".

A Defesa Civil pede a quem more em área de risco que não se sinta intimidado a procurar abrigos nas alternativas disponíveis. "A prioridade é resguardar a vida. O maior patrimônio que um ser humano tem é a família dele. É preciso observar as evidências de riscos e, se houver necessidade, acionar a Defesa Civil (pelo telefone 199), o Corpo de Bombeiros (193) ou a Guarda Municipal (153)".


Emergência em Nova Serrana


A situação de emergência por causa das chuvas foi decretada pelo Município em 9 de novembro de 2021, dois dias depois de um forte temporal causar estragos na cidade. A Defesa Civil afirma ter atendido, só naquele dia, 275 pessoas.



Desse total, houve três vítimas diretas dos efeitos das chuvas e uma morte foi confirmada: a de um motorista que teve o carro submerso pela água que transbordou de um ribeirão no bairro Cidade Nova.


Outro efeito colateral do começo das chuvas em Nova Serrana foi uma falta de abastecimento de água por parte da Copasa, que durou semanas. Na ocasião, a companhia afirmou que uma de árvore gerou falta energia elétrica em um sistema de captação, que prejudicou o serviço. O problema só foi resolvido uma semana depois.


Desde então a Prefeitura segue apta a receber recursos do Estado e da União para investimentos no atendimento às vítimas dessas ações do clima e nas manutenções necessárias. Mas, até ao momento, nada foi recebido porque as duas instâncias ainda avaliam se cabe ou não liberar os recursos.


Governo de Minas


Quando um município decreta situação de emergência, a Defesa Civil local preenche um formulário estadual para registro de desastres. O Estado avalia as informações e decide se vai repassar algum recurso ao município. O registro da situação de Nova Serrana foi feito em novembro de 2021 e até esta sexta não houve resposta.


"A parte do governador vem com ajuda humanitária, cobertor, kit de higiene pessoal, para a gente dar suporte às pessoas desabrigadas ou desalojadas. A gente está aguardando. O nosso decreto está em análise pelo Estado.

Mas, enquanto isso, o Município tem realizado trabalho preventivo. Se alguma família precisar passar a noite no abrigo, há colchões e cobertores disponíveis no almoxarifado. "Toda a assistência social está à disposição da população", ressalta.


Governo Federal


Por parte do Governo Federal, mesma coisa. A União ainda não manifestou interesse por fornecer recursos emergenciais a Nova Serrana. Não é a primeira vez que isso acontece. Quando Nova Serrana decretou emergência por chuvas em 2017, o aviso de liberação de recurso federal só chegou em 2018, quando já não havia o problema.


"Quando o aviso desse recurso veio, a Defesa Civil precisou devolver, porque a finalidade dele é só para questão de desastre. É demorado e muito burocrático", finaliza Selma Fernandes.


Algumas situações acompanhadas pela Defesa Civil de Nova Serrana




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