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  • Ricardo Welbert

Com ambulâncias estragadas, G3 Resgate pede socorro


Duas viaturas paradas por pane de motor (Foto: G3/Divulgação)

O grupo de resgate G3, da cidade de Pitangui, está com a capacidade de atendimento comprometida. Algumas ambulâncias estão estragadas e a equipe não tem dinheiro para o conserto.


▶️ Ouça a reportagem



O G3 foi fundado em 2011 com o objetivo de ajudar a socorrer quem precisasse. Desde então, milhares de pessoas foram atendidas. Entre os casos mais comuns estão os acidentes de trânsito, acidentes domésticos, pessoas que passam mal nas ruas, que se afogam ou se queimam.


Edson Sousa durante apoio prestado pelo G3 em Pompéu (Foto: PMP/Divulgação)

A equipe também atua em casos de incêndios, como os muitos registrados em Pitangui em 2021. Veja abaixo fotos e vídeos dos atendimentos a algumas ocorrências ligadas ao fogo.




Também atua em quedas de árvores e até enchentes, como aquelas provocadas recentemente pelo grande volume de chuvas em Minas. No dia 4 de janeiro, por exemplo, uma árvore de grande porte caiu na BR-352 em Pitangui. O incidente, resultado de temporais que atingiam a região, ocorreu em um trecho da via que passa pelo bairro Brumado, no sentido a Pará de Minas.


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O G3 foi chamado para remover a árvore e orientar o trânsito no local, que precisou ser parcialmente interditado e fluiu pelo sistema de pare e siga. A grande quantidade e galhos e o peso da estrutura dificultaram o serviço. Veja abaixo algumas fotos do atendimento.



O transbordamento de um córrego em Pompéu preocupou moradores e autoridades. O município, de cerca de 32 mil habitantes, não tem Corpo de Bombeiros e nem Samu para atuar na orientação da população e no resgate de possíveis vítimas. O vídeo abaixo mostra a situação do curso d'água.



Por causa disso, o governo municipal, que decretou situação de emergência, pediu ajuda ao grupo de voluntários de Pitangui. Eles aceitaram e percorreram 87,4 quilômetros que separam os municípios para ajudar.


Equipes do grupo durante chegada a regiões alagadas em Pompéu (Foto: G3/Divulgação)

Ficaram na cidade vizinha de 7 a 9 de janeiro. Veja abaixo um vídeo publicado pela Prefeitura de Pompéu e que destaca a atuação do G3.



Situação complicada


Nos dias considerados normais - ou seja, quando não tem nada muito grave acontecendo, eles socorrem, em média, seis pessoas. Mas, agora, quem precisa de ajuda é a própria instituição, como explica à MAIS! o coordenador do grupo, Edson Souza.


“É com grande pesar que a gente está aqui pedindo a toda a população de Pitangui e região que, de alguma forma, possa nos ajudar. Porque depois de longos dias de correrias por causa das enchentes, tentando fazer o possível e o impossível, para poder salvar as pessoas, trabalhando 24 horas, cortando árvores de madrugada, tentando tirar os ribeirinhos, fazendo sinalização nas vias, lamentavelmente os veículos não aguentam. Já são sete anos. Somente esses dois veículos estão com a gente aqui. Inclusive há pouco tempo o furgão deu problema novamente. São carros que não são novos. A gente vê uma dificuldade muito grande em poder continuar fazendo esse nosso trabalho. Vou tentar mantê-lo enquanto tiver uma única viatura”.

Ambulância fora de uso por pane de motor (Foto: G3/Divulgação)

Das quatro ambulâncias que o G3 Resgate tem, duas estão fora de circulação por pane de motor. Para piorar a situação, na última terça-feira (18) uma das ambulâncias foi danificada em um acidente de trânsito.


“Por azar nosso foi colidido um carro nosso com o de um cidadão que entrou em um cruzamento de forma errada. A gente estava em baixa velocidade e o cidadão colidiu no nosso carro. Estávamos indo para o hospital com uma vítima. Uma coisa boa é que estávamos na esquina da nossa base. A gente conseguiu trocar de viatura. Pegar a última que a gente tem aqui em uso e encaminhar para o hospital. É uma luta muito grande”.

Equipes do G3, da PM e da Defesa Civil de Minas durante atuação conjunta (Foto: G3/Divulgação)

Edson faz ainda um apelo para que cidadãos contatem seus deputados e peçam a eles que ajudem o G3 Resgate.


“Você que tem contato com deputados. Grandes políticos que podem, de alguma forma, doar um carro para gente. Porque com ambulância nós fazemos remoções, atendimentos de traumas clínicos, inclusive em zona rural. A gente atende toda a região. Tenho certeza que um carro desse hoje, que vai nos atender bem, não é de um valor tão alto. Peço pelo amor de Deus. É um apelo que eu estou fazendo a toda Pitangui e região. Quem ainda não conhece o nosso trabalho, venha conhecer”.

Durante as recentes chuvas que atingiram Minas Gerais, os socorristas do grupo G3 atuaram não só em Pitangui e Pompéu, mas também em Conceição do Pará, onde rios transbordaram e os voluntários foram mobilizados para orientar moradores e socorrer eventuais vítimas. “Estamos aqui desde a época em que iniciaram essas enchentes, arrecadando material também, como roupas e donativos, para podermos doar às pessoas”.


Furgão do grupo carregado com donativos arrecadados para vítimas de enchentes (Foto: G3/Divulgação)

Crise financeira


Por causa da falta de dinheiro, o coordenador do G3 avalia a possibilidade de vender um dos veículos do grupo.


“A gente tá fazendo uma avaliação muito criteriosa para a partir do momento em que a gente ver que não compensa arrumar os carros. A gente tá tentando pelo menos vender um furgão, por um valor irrisório, para vermos se conseguimos comprar um carro mais novo, que vá atender à população. Porque realmente está difícil para a gente”.

Furgão do grupo de resgate voluntário (Foto: G3/Divulgação)

Ainda de acordo com Edson, vários pedidos de socorro feitos aos G3 já deixaram de ser atendidos por falta de veículos. “Eu fico muito chateado quando alguém me liga e tem carros parados aqui na base, mas estão quebrados. Queria muito que as pessoas entendessem isso. Se colocarem em meu lugar, estando aqui 24 horas dentro da base e ver duas viaturas paradas ali fora, que poderiam estar atendendo à população. Mas, eu lamento. Não sei quando virão a ser consertadas essas viaturas”.


Viatura fora de circulação por ter motor fundido (Foto: G3/Divulgação)

Apoio ao Samu


Além das demandas que chegam da população, o G3 Resgate também costuma ser acionado pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência).


“Alguns atendimentos nos são repassados via Samu, quando a Regulação do Samu está com as viaturas todas ocupadas. Eles também fazem contatos com a gente e a gente faz os atendimentos para o Samu também. Postos de saúde, hospital que precisa também do atendimento de uma viatura para deslocar algum paciente. A gente está pronto para atender”.

Média de atendimentos


Ainda de acordo com Edson, o G3 Resgate faz em média de 90 a 100 atendimentos por mês. “É um número muito expressivo para o trabalho que a gente faz hoje. São 24 socorristas”.


Edson faz então um apelo a quem puder ajudar.


“Ajude a gente. Nós precisamos de ajuda. Ajude o G3 Resgate porque o G3 também quer ajudar alguém”.

Como ajudar o G3


Para ajudar os socorristas voluntários a continuarem com esse trabalho, confira os canais disponíveis para doações.


Chave PIX: 37 9 9946 7666


Depósito bancário

Banco: Sicoob Credpit Conta: 004372001-3 Banco: 756 Cooperativa: 4.312. Cidade: Pitangui.


G3 precisa de doações para manter estrutura da sede, veículos e equipes (Foto: G3/Divulgação)

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